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O que é CDI?

O CDI é a taxa de referência mais usada para comparar investimentos de renda fixa no Brasil. Entenda de onde ele vem, por que aparece como porcentagem e como calcular o rendimento de um CDB de 100% do CDI.

Por Equipe TV SOL COMUNIDADE Atualizado em 21/09/2026 7 min de leitura
Ilustração de painel com indicador de taxa de juros entre instituições financeiras representando o CDI
O CDI nasce das operações de empréstimo de um dia entre bancos, intermediadas pela B3.

De onde vem o CDI

No fim de cada dia, instituições financeiras precisam ajustar seus caixas. Um banco com sobra empresta para outro com falta, por uma noite. Essas operações são registradas na B3 e o conjunto delas gera uma taxa média diária: a taxa DI, popularmente chamada de CDI.

Como o empréstimo é de curtíssimo prazo e entre instituições, o risco percebido é muito baixo. Isso faz do CDI um bom termômetro do custo do dinheiro no atacado — e, na prática, uma referência conveniente para medir o desempenho de aplicações de renda fixa.

CDI e Selic: qual a diferença

A Selic é a taxa básica de juros definida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central. O CDI, por sua vez, é uma taxa de mercado, apurada nas transações entre bancos. Como o mercado tende a operar próximo da taxa básica, o CDI costuma ficar muito perto da Selic — geralmente um pouco abaixo, mas nunca exatamente igual todos os dias.

Confundir os dois leva a erros de comparação. Uma aplicação de "100% do CDI" não rende 100% da Selic: ela rende a variação do CDI no período, que pode ser ligeiramente diferente.

Por que falamos em "% do CDI"

Como o CDI muda com frequência, anunciar uma taxa fixa como "10% ao ano" exigiria renegociar contratos toda hora. Usar um percentual do CDI resolve isso: a remuneração acompanha automaticamente o mercado.

Um CDB de 100% do CDI rende a variação integral do índice no período. Um título de 95% rende um pouco menos; um de 110% rende mais — geralmente em troca de alguma condição, como prazo maior, menor liquidez ou emissor com risco diferente.

Atenção a um ponto importante: percentuais maiores nem sempre significam mais dinheiro. É preciso considerar impostos, taxas, liquidez e o risco de crédito de quem emite o título.

Exemplos ilustrativos de como o percentual do CDI aparece no mercado. Não são ofertas nem indicações de investimento.
AplicaçãoRemuneraçãoComentário
CDB de banco médioExemplo: 95% a 105% do CDIRendimento depende do CDI do período, do prazo e do imposto de renda.
CDB de banco digitalExemplo: 100% a 110% do CDIPercentual mais alto costuma vir acompanhado de análise de risco do emissor.
Tesouro SelicAcompanha a SelicTítulo público com liquidez diária e taxa de custódia da B3.
PoupançaRegra própriaNão é anunciada em % do CDI; rende 70% da Selic mais TR quando a Selic está acima do limite legal.

Como calcular o rendimento de uma aplicação em % do CDI

O raciocínio tem quatro etapas: descobrir o CDI do período, aplicar o percentual contratado, considerar o prazo em dias para o imposto e, por fim, descontar o tributo do rendimento.

Suponha um CDI de referência de 14,63% ao ano (valor de exemplo, não cotação do dia) e um CDB de 100% do CDI, com R$ 10.000 aplicados por 365 dias. O rendimento bruto é a variação do CDI no período. Sobre o ganho incide imposto de renda pela alíquota correspondente ao prazo — 22,5% para aplicações de até 180 dias, 20% até 360, 17,5% até 720 e 15% acima disso.

No exemplo, com 365 dias, a alíquota é 17,5%. O rendimento líquido fica próximo de R$ 1.207 para um ganho bruto da ordem de R$ 1.463 — resultado que muda conforme o CDI efetivamente praticado no período.

Como usar o CDI na prática

O CDI serve como régua. Ele permite comparar produtos diferentes em uma mesma unidade de medida e avaliar se um rendimento foi bom ou ruim em relação ao mercado.

  • Comparar dois CDBs com percentuais diferentes do CDI, considerando prazo, liquidez e emissor.
  • Verificar se o rendimento de um fundo DI ficou acima ou abaixo do índice, descontada a taxa de administração.
  • Estimar o rendimento esperado de uma aplicação antes de contratá-la.
  • Entender por que a poupança rende menos que a maioria dos títulos atrelados ao CDI em boa parte do tempo.

Conclusão

O CDI é a taxa média das operações de um dia entre bancos e virou o padrão de comparação da renda fixa no Brasil. Ele anda perto da Selic, mas não é a mesma coisa. Ao avaliar uma aplicação em % do CDI, considere prazo, imposto, liquidez e risco do emissor — o percentual isolado conta apenas parte da história.

Fontes oficiais para conferência

Os dados deste conteúdo podem mudar ao longo do tempo. Para conferir os valores vigentes, consulte as fontes primárias:

Perguntas frequentes

CDI e Selic são a mesma taxa?

Não. A Selic é a taxa básica definida pelo Banco Central; o CDI é uma taxa de mercado apurada diariamente nas operações entre bancos. Costumam ficar próximas, mas não são idênticas.

O que significa um investimento de 110% do CDI?

Significa que a remuneração corresponde a 1,10 vez a variação do CDI no período. Percentual mais alto normalmente vem acompanhado de prazo maior, menor liquidez ou maior risco de crédito do emissor.

A poupança é medida em % do CDI?

Não. A poupança tem regra própria de remuneração, definida por lei, com rendimento mensal e correção por TR. Para comparar com o CDI, é necessário simular os dois casos.

Quem calcula e divulga o CDI?

A taxa é apurada a partir das operações registradas na B3, que divulga os dados diariamente.

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